Portugal Decanta 2019, a festa dos vinhos portugueses em Madrid

Na segunda-feira, 25 de março de 2019, a Verema organizou, em parceria com o importador Terras de Portugal, a 3ª Edição do Portugal Decanta, um espaço para conhecer e desfrutar dos excelentes vinhos que estão sendo produzidos no país lusitano. A AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), a Vini Portugal e o distribuidor O Lusitano patrocinaram este evento, que trouxe para Madrid todas as novidades do mercado.

O evento teve lugar no Hotel Westin Palace de Madrid, onde mais de 40 vinícolas portuguesas e cerca de 1.000 participantes, incluindo utilizadores da Verema.com, distribuidores, produtores, sommeliers, profissionais de restauração e entusiastas do mundo do vinho, nos acompanharam na grande festa do vinho português.

Portugal, um leque de possibilidades

Portugal é um país de grandes contrastes. Em uma superfície tão pequena como a portuguesa, poucos países podem oferecer a grande diversidade de vinhos que possui. Não apenas seus famosos Portos e Madeiras nos conquistaram, mas também, graças ao Portugal Decanta, descobrimos a ampla gama de vinhos produzidos em nosso país vizinho.

Nisso tudo, desempenha um papel fundamental a topografia de Portugal, a influência das águas do Atlântico, determinante nos vinhos portugueses, e o suave toque que recebe do Mediterrâneo, somado às diferentes altitudes em que crescem as vinhas, a diversidade de solos e o grande patrimônio de castas autóctones e algumas importadas, conferem a estes vinhos caráter e personalidade. De norte a sul do país, as vinhas fazem parte da paisagem e da história de Portugal. Esta grande diversidade de variedades foi um dos elementos que nos acompanhou durante todo o percurso que fizemos pelo mapa português.

Desde os Portos e os Douros, passando pelos Vinhos Verdes e os Madeiras, todos estiveram presentes para que pudéssemos apreciar sua qualidade e o potencial das elaborações apresentadas.

Mapa das regiões produtoras de vinho em Portugal

O vinho português certamente merece uma festa

Luís Ramos Lopes foi o mestre de cerimônias da nossa viagem, guiando-nos nas quatro masterclasses do dia. Além de ser um especialista em vinhos portugueses, Luís é jornalista e diretor da revista Vinho Grandes Escolhas, e tudo isso, no caso dele, é muito evidente na forma como explica e comenta a complexidade dos diferentes vinhos degustados. Aproveitamos para anunciar que em breve teremos ele na seção Entrevista2.

Luís definiu Portugal como um país de mar, já que as regiões mais a leste recebem a influência mediterrânea e as que estão na costa oceânica têm um caráter atlântico pronunciado. Isso nos proporciona colheitas da mesma variedade com até um mês de diferença, dependendo da região onde as uvas estão localizadas.

Com a primeira masterclass, realizou-se a apresentação dos vinhos brancos e espumantes, que deu início ao evento. Nela, pudemos degustar 8 vinhos:

  • Quinta do Tamariz Vinho Verde Superior 2017
  • Singular Vinho Verde branco 2017
  • Arinto “sur lies” by António Maçanita Pico Arinto dos Açores 2017
  • Esporão Alentejo Reserva branco 2017
  • Conceito Douro branco 2017
  • Quinta dos Carvalhais Branco Especial Dão branco
  • Cartuxa Alentejo Espumante branco 2011
  • Vértice Douro Espumante Gouveio branco 2010

Como resumo, podemos dizer que foi uma das degustações que mais nos emocionou pela elegância dos vinhos e pela frescura deles.

A altitude é um fator fundamental nas vinhas portuguesas; geralmente, os vinhos brancos são plantados em altitudes mais elevadas, o que preserva a acidez, enquanto os tintos e os vinhos do Porto são plantados em altitudes mais baixas.

Às 12 horas, abrimos as portas do showroom, que continuou sem interrupção até às 21:00 horas. Muitos produtores nos surpreenderam e não vamos mencioná-los a todos para não deixar nenhum de fora, mas o que podemos dizer é que os vinhos portugueses nos encantaram. São interessantes, complexos, elegantes e de grande qualidade. O público espanhol é uma referência fundamental para o mercado português, algo que nos alegra, já que uma das principais missões da Verema é a divulgação e mostrar aos profissionais e aos entusiastas o que está sendo feito além das nossas fronteiras faz parte do nosso trabalho.

Às 13:30 horas, pudemos desfrutar da segunda degustação da manhã, desta vez os vinhos tintos foram os protagonistas, e estes foram os principais atores:

  • Quinta do Sanguinhal Óbidos Reserva tinto 2014
  • Quinta dos Carvalhais Dão Touriga Nacional tinto 2017
  • Cartuxa Alentejo Vinho de Talha tinto 2017
  • Monte Branco Alentejo tinto 2015
  • Marquês de Borba Alentejo Reserva tinto 2015
  • Duorum Vinhas Velhas Douro Reserva tinto 2015
  • Santos da Casa Douro Grande Reserva tinto 2015
  • Quinta do Vale Meão Douro tinto 2016.

Já nesta masterclass, conhecemos a grande variedade de uvas com as quais se trabalha, e isso foi ampliado na terceira degustação do dia, denominada Uvas de Portugal.

  • Casa Santos Lima Lisboa Arinto branco 2018
  • Soalheiro Primeiras Vinhas Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017
  • Quinta dos Roques Dão Encruzado 2016
  • Campolargo Baga Bairrada tinto 2015
  • Horácio Simões Vinhas Velhas Grande Reserva Castelão tinto 2015
  • Quinta da Pellada Carrocel Dão Touriga Nacional tinto 2013
  • Quinta do Crasto Douro Touriga Nacional tinto 2016
  • Júlio B. Bastos Alentejo Alicante Bouschet tinto 2014.

Portugal possui mais de 250 variedades autóctones, e embora não se saiba ao certo, acredita-se que a razão para ter tantas se deve à diversidade de seus climas, solos e, principalmente, à sua orografia peculiar. O relevo tão acidentado do país, especialmente no norte, facilitou seu próprio isolamento, resultando em diferentes tipos de produções e centenas de variedades autóctones.

Fomos capazes de descobrir esse imenso quebra-cabeça de uvas que estão presentes em muitas das garrafas que bebemos, além do grande número de variedades diferentes, tanto autóctones quanto estrangeiras, utilizadas nas diversas produções. Um mesmo vinho pode abranger infinitas possibilidades. O enólogo é como um pintor com muitas cores na sua paleta e decide quantas quer utilizar, em alguns casos, infinitas.

E como uma cereja no topo do bolo para concluir as masterclasses, desfrutamos da grande Degustação de Vinhos Fortificados, onde a sala de degustação foi impregnada pelos aromas excepcionais das garrafas que foram abertas. Tudo cheirava a Portos, vinhos licorosos e Madeiras; tudo nos falava da história do vinho português em letras maiúsculas. Sem dúvida, uma degustação que todos os presentes lembrarão para o resto de suas vidas, pois para aqueles que puderam participar, foi uma experiência enológica sublime.

  • Quinta do Vale Meão Porto Vintage 2016
  • Dow’s Porto Vintage 2000
  • Andresen Porto branco 20 anos
  • Graham’s Porto tawny 20 anos
  • Quinta de S. Francisco Licoroso doce 20 anos
  • Villa Oeiras Carcavelos Superior 15 anos
  • Justino’s Madeira Terrantez 1978
  • José Maria da Fonseca Alambre Moscatel de Setúbal 20 anos.

Foram nove horas intensas, durante as quais provamos e conhecemos de perto a filosofia do vinho português, como está sendo trabalhado, quais inovações estão sendo trazidas para o setor do vinho, e também desfrutamos dos grandes clássicos das vinícolas expositoras.

O dia terminou com um sabor muito português e querido. Agradecemos a todos os participantes e aos elaboradores que nos levaram a descobrir o maravilhoso mundo dos vinhos do nosso país vizinho.

Até a próxima edição, ficamos com uma taça na mão enquanto somos embalados pelas notas nostálgicas de um fado.

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